Elidel

A vida arruinada numa sala de chat.

Posted in Denúncias by chiaretto @ dez 21, 2007

Essa nóticias é bem antiga, mas sempre vale a pena relembrar esse tipo de assunto. Ela foi postada por um amigo em um forum que tinhamos a uns anos atraz.

Bill Smith“, um professor secundário de matemática de 42 anos de Michigan, ligou seu computador certa noite ano passado e entrou na sala de chat do Yahoo para a região de Detroit. Ele queria uma conversa picante antes de ir dormir. A experiência acabaria por levá-lo à beira do suicídio e mudaria sua vida para sempre.

Smith, que é casado, tem três filhos pequenos e quis ficar anônimo nessa reportagem, disse que estava tendo problemas conjugais na época e que o flerte online era uma espécie de “válvula de escape” que evitava que tivesse um caso. Na sala de chat, Smith enviou mensagens instantâneas a vários usuários com nicknames femininos, incluindo um que se identificava como “keely_kandy69u“:

pbass1957b: oi, kandy, quer teclar?

keely_kandy69u: asl? (idade, sexo, lugar)

pbass1957b: m/42/(cidade de) grosse pointe… e você?

keely_kandy69u: 13 f Ferndale

pbass1957b: você tem uma webcam?

Embora “Keely” tivesse se identificado como sendo uma garota de 13 anos, Smith continuou com sua conversa erótica. Ele pediu que ela mandasse fotos suas, perguntou se ela já havia feito sexo e se gostava de ter seus “mamilos chupados e lambidos”. “Eu poderia ensinar matemática a você e depois ensiná-la a desfrutar dos prazeres do bom sexo”, disse Smith. Ele disse seu primeiro nome, sua profissão e deu o número de seu celular. Ela ligou para ele para confirmar que o número era verdadeiro, desligou e continuou a conversa:

keely_kandy69u: Dê uma olhada nesse site:

keely_kandy69u: http://www.perverted-justice.com

keely_kandy69u: Preste bastante atenção nele.

keely_kandy69u: Talvez você queira adicioná-lo aos seus favoritos. Seu nome, telefone, foto e uma transcrição dessa conversa estarão na página inicial dentro de 24 horas.

keely_kandy69u: Você é um homem muito, muito doente…

keely_kandy69u: E sua vida acaba de dar uma guinada para pior.

Smith rapidamente encerrou a conexão, mas a ameaça de Keely se mostrou real. Em poucos dias, Smith perdeu seu emprego, recebeu ameaças de morte anônimas e teve de lidar com os repórteres que faziam plantão diante da sua casa.

Como se soube mais tarde, Keely não era uma adolescente, e sim um homem de 29 anos de idade que trabalha como voluntário do Perverted Justice, um grupo de ativistas que patrulha salas locais de chat à caça de possíveis pedófilos.

Os voluntários do grupo se fazem passar por menores de idade e, ao receberem propostas indecentes de adultos, publicam foto e informações de contato dos acusados em seu site, para que os simpatizantes do grupo possam intimidá-los pessoalmente. O Perverted Justice já fez mais de 600 operações desse tipo desde que foi criado em 2002, e muitos de seus alvos perderam o emprego e passaram a ser hostilizados em suas comunidades devido à denúncia.

Equipe de policiais do Perverted Justice

Críticos afirmam que a polêmica cruzada do grupo raramente resulta em alguma condenação, mas seus integrantes destacam que a humilhação sofrida pelas pessoas denunciadas (entre as quais há duas mulheres) é o bastante para fazer com que possíveis pedófilos pensem duas vezes antes de assediar crianças e adolescentes na Internet.

Conferência em Fort Myers/FL

No caso de Smith, o Perverted Justice conseguiu identificar sua identidade depois de localizar uma foto no site da escola onde trabalhava. Na foto, ele aparecia com a mesma camisa que usava na foto mandada a Keely. Os ativistas enviaram a transcrição do chat a colegas de trabalho, pais de alunos, a polícia local e a imprensa.

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Smith, que lecionou em escolas de ensino secundário durante 17 anos, diz ter pensado que Keely era uma adulta fingindo ser uma garotinha. “Este é um meio para as pessoas viverem suas fantasias”, disse. “Jamais pensei que se tratasse realmente de uma menina de 13 anos. Ninguém é quem diz ser nessas salas de bate-papo”.

Ele pediu ao Perverted Justice para que tirasse suas informações do ar, mas o grupo não atendeu. Seu patrão lhe disse para não aparecer no trabalho na segunda-feira. E então a imprensa passou a cercar a sua casa. Ele diz ter ficado tão deprimido que acabou trancando-se no porão com uma espingarda que ganhara de seu pai. A arma tinha uma trava de gatilho, e ele não conseguiu encontrar a chave para soltá-la. Ele telefonou a um grupo que oferece amparo a pessoas com tendências suicidas, que chamou a polícia. Sua arma foi confiscada e ele foi levado a um psiquiatra.

O voluntário do Perverted Justice que flagrou Smith não se comove com a história. “Isso é culpa dele. Só o que fizemos foi transformá-lo num exemplo”, diz “Beef the Troll”, que, como outros voluntários, não quer se identificar por temer represálias. “Atualmente, ele não pode nem chegar perto de uma sala de aula. E eu conto isso como uma vitória pessoal”.

Uma ex-aluna de Smith não se surpreendeu com as notícias envolvendo seu ex-professor. “Ele fazia comentários impróprios com freqüência”, conta Laura Pankow, 20 anos, que foi aluna de álgebra de Smith entre seus 14 e 15 anos. “Sempre que um garoto chegava atrasado, a pergunta que ele fazia era: ‘por acaso estava tendo um encontro com Rosie Palma e suas cinco amigas?’”

O departamento de policia do condado de Macomb não acusou Smith porque nenhum encontro real com uma menor de idade aconteceu, e a transcrição da conversa não era evidência suficiente para incriminá-lo. “Não há como provar que esse professor foi realmente quem escreveu essas mensagens”, contou o xerife Mark Hackel ao jornal The Detroit News. “Seria como comprar um pacote de cocaína e ir à polícia apontando um vendedor”.

Embora a polícia freqüentemente se infiltre em salas de chat para tentar flagrar pedófilos em ação, as investigações desse tipo seguem regras rígidas para garantir que as transcrições das conversas possam ser usadas nos tribunais.

Smith, que não ganhou qualquer apoio de seu sindicato, foi afastado de seu emprego. Ele contratou um advogado para processar o grupo por invasão de privacidade e assédio, mas ele não está conseguindo obter as verdadeiras identidades dos integrantes. Enquanto isso, ele precisa lidar com a hostilidade de seus colegas e vizinhos. “Eu tenho um longo caminho pela frente para acertar as coisas com minha mulher e meus filhos. Tenho que construir uma nova vida, encontrar uma nova carreira. Minha vida está arruinada em muitos aspectos”.

Fonte: Wired News

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